sábado, 3 de janeiro de 2015

The Perks of Being Mariana Vol. I - Complexo de Frango

Estava no meu primeiro ano do Ensino Médio, era época de greve e a única coisa interessante a se fazer de manhã era assistir "Bem Estar" (porque era o único canal que pegava). Não fazia nem duas semanas e já possuía todas as neuras possíveis de doenças e manias que falavam no programa. Minha situação era precária... Até que aconteceu a história do frango.

Ainda não era meio-dia, minha mãe ligou: 
- Mariana, você já fez o almoço?
-Não, mãe.
- Então faz. Tem um frango na geladeira, é só você cortar, temperar e colocar pra assar.
"Ok, é só um frango." pensei "Deve ser daqueles peitos de frango que a gente só pega e corta. Vou fazer o almoço então."
Esperei até acabar o programa pra poder ir até a cozinha e fazer. Abri a geladeira, estava lá - um frango... inteiro. Nunca tive que preparar um frango inteiro. Peguei, coloquei em cima da pia, fui buscar a faca. (Vou pedir pra levarem em consideração a partir daqui porque estava sozinha em casa. É normal as pessoas se desesperarem quando estão sozinhas em casa)
Já fui abrindo o saquinho em que o bicho estava e começou a escorrer o sangue sobre a pia. Pensava seriamente em não fazer mais a comida. "Não, Mariana. Sua irmã vai chegar com fome, vai querer almoçar... e não vai ter nada pra ela comer? Faz o almoço, por mais nojento que seja." Continuei fazendo. Estava quase começando a cortar quando percebi que havia um outro saquinho com "coisinhas" dentro do animal. Fui tentar tirar, puxei com tudo e tudo o que tinha lá dentro, caiu no chão. Inclusive... A CABEÇA DO FRANGO.
Era a primeira vez que estava fazendo um frango, que estava vendo a cabeça de um frango morto. Fiz o que uma pessoa sensata faria numa situação dessa: saí da cozinha gritando e comecei a chorar.
"Meudeus, aquele frango!! Coitado dele! Aquela cabeça!!!!!!" Enfiei a cabeça (a minha) no travesseiro e fiquei uma meia hora tentando decidir o que faria - e a cabeça do frango lá, no chão da cozinha.
"Muito bem... Aquilo não pode ficar ali." pensava "Mas também não quero voltar lá, aquele 'coiso' vai ficar olhando pra mim. O que eu vou fazer?"
Passada uma meia hora, depois de um grande debate comigo mesma, vendo os prós e contras de sair da minha cama e voltar à cozinha, resolvi sair de lá e pegar a pá pra juntar aquela sujeira do chão.
Não bastasse meu desespero - completamente desnecessário - por estar sozinha com uma cabeça de frango em casa, não conseguia juntar a sujeira, fazendo com que a cabeça caísse várias e várias vezes no meio do caminho, até finalmente acertar o lixo.
Por fim, acabei não fazendo o almoço; fiquei sem fome o resto do dia e minha irmã almoçou ovo porque era a única coisa descongelada quando ela chegou. Demorei um certo tempo pra voltar a comer frango.

Nenhum comentário:

Postar um comentário