Tinha uns dez anos quando ganhei aquele coelho. Era macho, um amigo da família que deu pra gente porque disse que estava muito violento dentro de um apartamento, talvez num quintal ele ficasse "mais calmo". Seu nome era Toy.
No começo amei a ideia de ter um coelho (ainda mais porque era a primeira vez que estava tendo um), achava ele a coisa mais fofa do mundo - mesmo não sendo mais um filhote. Queria dar banho, comida, brincar com ele e tudo o mais.
O problema foi que, com o tempo, o quintal de casa já não era o suficiente pra ele gastar todas as suas energias. Acabou que, dentro de algumas semanas ele passou de um coelho fofíssimo coisica lindica pra coelho assassino. Não podia nenhum ser do sexo feminino sair por uma das portas de casa que o bicho já saía correndo atrás a fim de dar dentadas. Minha irmã ficou um bom tempo sem brincar no quintal e minha mãe não ia estender roupa sem a companhia do meu pai. Não sabia até quando iríamos aguentar um bichinho daqueles em casa.
Um sábado, porém, minha mãe estava ao pé da minha cama:
- Seu tio Léo veio aqui agora há pouco...
- Sério? Nossa, que legal! - Eu gostava daquele tio.
- É... Então. - Pensei "Lá vem" - Você sabe que o Toy estava dando muito trabalho... e já não tinha mais jeito... - Eu só escutava. - Por isso seu tio veio hoje. Ele matou o Toy. - Ela terminou com uma expressão triste mas aliviada porque poderíamos sair pela porta de casa novamente.
Depois fiquei sabendo que meu tio preparou e temperou o bicho pra comer mais tarde (sinceramente, fiquei horrorizada), colocou na geladeira, na casa de uma tia minha.
Acontece que ninguém sabia da história do coelho no dia em que ele foi morto. A empregada da casa achou uma "carne branca" dentro da geladeira e resolveu fazer pro almoço. O povo chegou morto de fome, comeu aquela carne e repetiu, disse que estava muito gostoso mas aquele frango estava meio diferente.
No final da tarde, meu tio chegou, perguntando onde estava o coelho que deixara na geladeira.
- AAAAAAH, ENTÃO ERA UM COELHO???!! - A empregada se manifestou.
- COELHO??? - Todos se espantaram de súbito.
- COMERAM O MEU COELHO?????!!!!
Minha prima engasgou enquanto os outros riam por terem confundido o coelho com um frango. Demorou pra eu voltar a gostar de frango e pra olhar pra um coelho do mesmo jeito...
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
The Perks of Being Mariana Vol. VIII - É tu, né, Iara?
Houve uma época em que era febre ouvir pela internet os trotes por telefone que as pessoas recebiam. Um dos mais conhecidos era o do "É tu, né, Iara?" (depois vocês procuram nas internetes), inclusive a minha família conhecia e até brincava quando ligava pra alguém pelo telefone, dizendo a frase chave do trote - principalmente eu com a minha mãe.
Tínhamos acabado de chegar de viagem na casa do meu tio quando minha tia sugeriu que eu e minha irmã ligássemos para minha mãe, avisando que chegamos. Foi o que eu fiz. Peguei o celular e disquei o número dela.
- Alô?
- É TU, NÉ IARA?
- Oi?
- Mãe, sou eu!
- Eu quem?
- Mãe, a Mari, sua filha...
- Eu não tenho filha, você ligou errado.
- Ah, sim, desculpa. - Disse com voz desanimada, desligando o telefone. Tentei novamente.
- Alô?
- É TU, NÉ, IARA?
- Oi?
- Mãe, sou eu, a Mari, sua filha!
- Desculpa mas você ligou errado.
- Ah, sim, desculpa. - Novamente desliguei, pensando se havia discado o número errado ou se minha mãe que estava me passando um trote. Liguei pela última vez, um tanto quanto desanimada.
- É TU, NÉ IARA?
- MAS DE NOVO ESTÃO ME LIGANDO?!
- Mãe, para de brincadeira, mãe! É a Mari, a sua filha! Para de brincar, é sério!! Para de brincadeira, é a sua filha, mãe...! A MARI!
A mulher que estava do outro lado da linha percebeu meu desespero, então acabou falando:
- Meu bem... Eu não sou a sua mãe. Você ligou errado, aqui quem fala é a Carol. - Dizendo pausadamente o "Carol". - Eu não sou a sua mãe. - Disse novamente, depois desligou o telefone.
- Ah, sim, desculpa. - Disse ao vazio no telefone.
Tínhamos acabado de chegar de viagem na casa do meu tio quando minha tia sugeriu que eu e minha irmã ligássemos para minha mãe, avisando que chegamos. Foi o que eu fiz. Peguei o celular e disquei o número dela.
- Alô?
- É TU, NÉ IARA?
- Oi?
- Mãe, sou eu!
- Eu quem?
- Mãe, a Mari, sua filha...
- Eu não tenho filha, você ligou errado.
- Ah, sim, desculpa. - Disse com voz desanimada, desligando o telefone. Tentei novamente.
- Alô?
- É TU, NÉ, IARA?
- Oi?
- Mãe, sou eu, a Mari, sua filha!
- Desculpa mas você ligou errado.
- Ah, sim, desculpa. - Novamente desliguei, pensando se havia discado o número errado ou se minha mãe que estava me passando um trote. Liguei pela última vez, um tanto quanto desanimada.
- É TU, NÉ IARA?
- MAS DE NOVO ESTÃO ME LIGANDO?!
- Mãe, para de brincadeira, mãe! É a Mari, a sua filha! Para de brincar, é sério!! Para de brincadeira, é a sua filha, mãe...! A MARI!
A mulher que estava do outro lado da linha percebeu meu desespero, então acabou falando:
- Meu bem... Eu não sou a sua mãe. Você ligou errado, aqui quem fala é a Carol. - Dizendo pausadamente o "Carol". - Eu não sou a sua mãe. - Disse novamente, depois desligou o telefone.
- Ah, sim, desculpa. - Disse ao vazio no telefone.
sábado, 3 de janeiro de 2015
The Perks of Being Mariana Vol. VII - Manu
Faz pouco mais de um mês que eu e minhas amigas temos como projeto social da escola ir na Casa da Criança trabalhar com... bom, crianças. Vamos lá todas as segundas-feiras e brincamos com elas, tomamos conta e por aí vai.
Queria pular a parte do "estamos aprendendo muito com elas assim como elas estão aprendendo conosco e coisa e tal e tal e coisa" para falar do que se passou nessa última segunda-feira. Mas primeiro tenho que falar de como conhecemos uma das crianças, Maria Luísa. Ou Manu.
Estava na hora de irmos embora e, toda vez em que vamos embora, damos alguma surpresa para as crianças - sempre bala ou pirulito.
Jaqueline, uma de nós, começou a distribuir duas balas para cada criança. Até que Manu veio reclamou que só havia ganhado uma. Porém Luana, que também faz parte do nosso grupo, desmentiu a menina, dizendo que ela havia, sim, ganhado duas balas, que era tudo mentira - pior que ela estava certa; Maria Luísa realmente havia ganhado duas balas.
Não demorou muito tempo, a menina chegou novamente chorando, soluçando, com lágrimas escorrendo por todo o seu rosto, dizendo que haviam roubado sua bala e agora ela só tinha uma. Luana, se sentindo mal por ter falado da criança, resolveu dar o doce a ela. Assim que o fez, pegamos nossas coisas e fomos embora.
Enquanto dávamos as costas para as crianças e nos dirigíamos à porta, uma de nós viu Manu se virando para a amiga dela, toda contente e radiante "EU CONSEGUI TRÊS BALAS!!! VOCÊ NÃO!!!"
Combinamos de, a partir daí, não confiar mais em choros de criança.
(Postagem feita em 2013)
Queria pular a parte do "estamos aprendendo muito com elas assim como elas estão aprendendo conosco e coisa e tal e tal e coisa" para falar do que se passou nessa última segunda-feira. Mas primeiro tenho que falar de como conhecemos uma das crianças, Maria Luísa. Ou Manu.
- O meu expedido é Manu.
- Malu?
- Não. Manu.
- Ah! Como é o seu nome?
- Maria Luísa. Mas o meu expedido é Manu.
- Ah, sim...
Minha amiga, que até então estava tendo essa conversa com ela, não soube o que responder pois procurava lógica na criação do apelido da criança. Mas desde o primeiro dia em que falamos com ela e houve tal conversa, a chamamos por Manu mesmo.
Enfim.Estava na hora de irmos embora e, toda vez em que vamos embora, damos alguma surpresa para as crianças - sempre bala ou pirulito.
Jaqueline, uma de nós, começou a distribuir duas balas para cada criança. Até que Manu veio reclamou que só havia ganhado uma. Porém Luana, que também faz parte do nosso grupo, desmentiu a menina, dizendo que ela havia, sim, ganhado duas balas, que era tudo mentira - pior que ela estava certa; Maria Luísa realmente havia ganhado duas balas.
Não demorou muito tempo, a menina chegou novamente chorando, soluçando, com lágrimas escorrendo por todo o seu rosto, dizendo que haviam roubado sua bala e agora ela só tinha uma. Luana, se sentindo mal por ter falado da criança, resolveu dar o doce a ela. Assim que o fez, pegamos nossas coisas e fomos embora.
Enquanto dávamos as costas para as crianças e nos dirigíamos à porta, uma de nós viu Manu se virando para a amiga dela, toda contente e radiante "EU CONSEGUI TRÊS BALAS!!! VOCÊ NÃO!!!"
Combinamos de, a partir daí, não confiar mais em choros de criança.
(Postagem feita em 2013)
The Perks of Being Mariana Vol. VI - A Velha e a Lata
Primeiro eu preciso explicar o cenário: tem um trecho do caminho da escola pelo qual eu passo em que é uma avenida, tem a calçada e do lado dessa calçada - sem ser a rua - é só mata. Na verdade, parte do que sobrou da mata da cidade, até corre um rio por lá (infelizmente hoje está sujo porque faz parte da rede de esgoto). Enfim.
Ia eu para a escola, andando pela tal calçada, quando me deparo com uma senhora. Ela viu uma latinha de cerveja no chão. E eu reparei que ela havia visto a tal da latinha.
Pois bem. Ela pegou a latinha e ficou olhando (aconteceu tudo em câmera lenta na minha mente). Eu pensei "Nossa, que cidadã exemplo! Ela pega as latinhas do chão da rua! Quem sabe ela vende, ela guarda e joga num lixo próximo daqui e..." eis que a velha chega e JOGA A LATINHA NO MATAGAL DO OUTRO LADO DA CALÇADA. (Já tenho uma certa aversão por gente que joga lixo na rua, mas quando vejo a pessoa fazendo essas coisas na minha frente...! ÇKDJSÇLDFHDFÇDSH AAAAAAH!!!!)
Eu parei de andar na mesma hora e fiquei encarando aquela mulher com uma cara de "MAS O QUE VOCÊ FEZ, MINHA FILHA?? É SÉRIO ISSO???! É SÉRIO MESMO??!" Uma pena que ela só tenha me olhado com cara de "O que você tá olhando, sua louca?" e tenha continuado seu percurso para sei lá onde.
Juro que cheguei na escola revoltada, prometendo aos céus e a terra que se visse aquela velha novamente tacaria uma latinha nela.
Ia eu para a escola, andando pela tal calçada, quando me deparo com uma senhora. Ela viu uma latinha de cerveja no chão. E eu reparei que ela havia visto a tal da latinha.
Pois bem. Ela pegou a latinha e ficou olhando (aconteceu tudo em câmera lenta na minha mente). Eu pensei "Nossa, que cidadã exemplo! Ela pega as latinhas do chão da rua! Quem sabe ela vende, ela guarda e joga num lixo próximo daqui e..." eis que a velha chega e JOGA A LATINHA NO MATAGAL DO OUTRO LADO DA CALÇADA. (Já tenho uma certa aversão por gente que joga lixo na rua, mas quando vejo a pessoa fazendo essas coisas na minha frente...! ÇKDJSÇLDFHDFÇDSH AAAAAAH!!!!)
Eu parei de andar na mesma hora e fiquei encarando aquela mulher com uma cara de "MAS O QUE VOCÊ FEZ, MINHA FILHA?? É SÉRIO ISSO???! É SÉRIO MESMO??!" Uma pena que ela só tenha me olhado com cara de "O que você tá olhando, sua louca?" e tenha continuado seu percurso para sei lá onde.
Juro que cheguei na escola revoltada, prometendo aos céus e a terra que se visse aquela velha novamente tacaria uma latinha nela.
The Perks of Being Mariana Vol. V - Na Época do Sarau...
Até o ano passado, o professor de Português que eu tinha era o melhor da escola. Não porque era meu professor, não porque eu tinha uma queda por ele mas porque, realmente, ele era o melhor da escola. Suas explicações eram das melhores, a atenção dos alunos ficava completa e totalmente presa em suas palavras e ele era um dos poucos que acreditavam na minha sala enquanto o resto dos professores diziam que não tínhamos futuro em função da bagunça e falta de maturidade de grande parte da turma.
Claro que, com tudo isso, podemos concluir que, pelo menos com ele, éramos alunos muito bons; tudo o que era pedido a maioria da sala fazia - só os preguiçosos não faziam nada - e a época mais esperada era a do fechamento de bimestre porque fazíamos o sarau.
Tá, mas como era esse bendito desse sarau? Bom, o tema era sempre a matéria vista no bimestre que estava sendo fechado. Podíamos pegar uma música, um poema ou outro texto de qualquer gênero, desde que estivesse dentro do tema proposto. Era uma das épocas mais legais do ano, passar horas e horas procurando um poema ou qualquer coisa que parecesse legal ou apresentável num sarau.
E assim se sucedeu até o final do nosso segundo ano do Ensino Médio. No terceiro ano ele se aposentou.
Como sabíamos de sua aposentadoria e que iria nos "abandonar" em plena reta final, ano de vestibular e tudo o mais, fizemos do último sarau o melhor de todos, o mais trabalhoso - O sarau; aquele que teríamos certeza de que, daqui a alguns anos, olharíamos para o trás e pensaríamos "Nossa, aquele sarau...!" como forma de agradecimento e de dizer que ele fora um professor que realmente fizera a diferença em nossas vidas.
Foi inesquecível.
Este ano continuamos tendo um sarau, mas não é a mesma coisa. Talvez porque, para nós, certas coisas só são realmente boas quando associadas a apenas uma pessoa (por exemplo nosso ex-professor e o sarau). Mas posso dizer que sinto falta de ficar horas e horas procurando poemas, poesias e músicas para apresentar, passar o processo de preparação psicológica de enfrentar a sala e o nervosismo todo. Sinto falta dessa época do sarau. Sinto falta dessa época do "ótimo professor".
(Postagem feita em 2013)
The Perks of Being Mariana Vol. IV - Facas na Bolsa
É com histórias como essa que podemos perceber a importância de saber levar as coisas na esportiva, minha gente...
Tínhamos um trabalho de biologia para fazer - ciclos biogeoquímicos - e combinamos de ficar na escola depois da aula (eu e mais sete pessoas, mais ou menos).
Todo mundo almoçou e depois foi pegar as coisas para fazer a maquete do tal do ciclo. Enquanto isso dávamos risada e falávamos sobre a vida; cortávamos alguns papeis aqui e colávamos outro ali. Até que chegaram com uma placa grande de isopor para fazer a maquete.
- Mas isso tá muito grande, a gente não vai precisar de tudo isso! - Uma das integrantes do grupo disse.
- Tudo bem, vamos ter que cortar então... - outra pessoa disse.
Eis que eu me manifesto do lugar onde estou, da forma mais séria possível:
- Ah, pera, deixa eu pegar minha faca aqui... - E fingi procurar algo na bolsa da escola. Mas eu estava brincando. De repente todos os que estavam perto pararam; até os que não prestavam atenção na conversa pararam de conversar para me olhar. Ficaram assustados, como se eu realmente estivesse falando sério, como se realmente tivesse uma faca na bolsa.
- VOCÊ. TEM. UMA FACA NA BOLSA???! - Minha amiga, que fazia parte do grupo, me perguntou.
- Não... - Só abaixei a cabeça, decepcionada porque tinham me levado a sério. Creio que ao dizer isso consegui ouvir a respiração de todos voltar ao normal.
Já faz uns dois anos que isso aconteceu mas até hoje há quem diga que eu tenha uma faca na bolsa - o que (por favor, acredite!) É. MENTIRA.
(Postagem feita em 2013)
Tínhamos um trabalho de biologia para fazer - ciclos biogeoquímicos - e combinamos de ficar na escola depois da aula (eu e mais sete pessoas, mais ou menos).
Todo mundo almoçou e depois foi pegar as coisas para fazer a maquete do tal do ciclo. Enquanto isso dávamos risada e falávamos sobre a vida; cortávamos alguns papeis aqui e colávamos outro ali. Até que chegaram com uma placa grande de isopor para fazer a maquete.
- Mas isso tá muito grande, a gente não vai precisar de tudo isso! - Uma das integrantes do grupo disse.
- Tudo bem, vamos ter que cortar então... - outra pessoa disse.
Eis que eu me manifesto do lugar onde estou, da forma mais séria possível:
- Ah, pera, deixa eu pegar minha faca aqui... - E fingi procurar algo na bolsa da escola. Mas eu estava brincando. De repente todos os que estavam perto pararam; até os que não prestavam atenção na conversa pararam de conversar para me olhar. Ficaram assustados, como se eu realmente estivesse falando sério, como se realmente tivesse uma faca na bolsa.
- VOCÊ. TEM. UMA FACA NA BOLSA???! - Minha amiga, que fazia parte do grupo, me perguntou.
- Não... - Só abaixei a cabeça, decepcionada porque tinham me levado a sério. Creio que ao dizer isso consegui ouvir a respiração de todos voltar ao normal.
Já faz uns dois anos que isso aconteceu mas até hoje há quem diga que eu tenha uma faca na bolsa - o que (por favor, acredite!) É. MENTIRA.
(Postagem feita em 2013)
The Perks of Being Mariana Vol III - "Vó, é você...?!"
Um dia estava eu, indo para a casa da Gabi - uma amiga minha - quando vi uma senhora saindo da casa de um velho estranho. Até aí, tudo bem, seria só uma senhorinha comum, não fosse o fato de ela ser idêntica à minha avó.
"Ué... o que a minha vó estava fazendo naquela casa?!". Assim que saiu pelo portão comecei a subir a rua e correr feito louca atrás dela. Claro que, ela percebeu e começou a correr, desesperada. Corri mais ainda, querendo falar com a velha, saber o que estava fazendo naquela casa mas acabei levando um baile; ela correu mais rápido que eu e perdi o fôlego. Mesmo assim, voltei a correr e ir atrás dela - precisava tirar satisfações!
Acabou que, quando finalmente consegui alcançá-la, percebi que não era minha avó. Não sabia onde enfiar a cara porque corri à toa e arranjara mais uma pessoa nessa cidade pra que sou uma louca que corre atrás de velhinhas.
"Ué... o que a minha vó estava fazendo naquela casa?!". Assim que saiu pelo portão comecei a subir a rua e correr feito louca atrás dela. Claro que, ela percebeu e começou a correr, desesperada. Corri mais ainda, querendo falar com a velha, saber o que estava fazendo naquela casa mas acabei levando um baile; ela correu mais rápido que eu e perdi o fôlego. Mesmo assim, voltei a correr e ir atrás dela - precisava tirar satisfações!
Acabou que, quando finalmente consegui alcançá-la, percebi que não era minha avó. Não sabia onde enfiar a cara porque corri à toa e arranjara mais uma pessoa nessa cidade pra que sou uma louca que corre atrás de velhinhas.
The Perks of Being Mariana Vol. II - O Homem Seminu e Meus Pais
Durante as férias de dezembro do ano passado fiquei viciada no The Voice do Reino Unido. Assistia vários episódios por dia (isso porque cada episódio era de, mais ou menos, uma hora e meia) direto. Uma das minhas crushes foi Nathan James. Triste porque ele mal passou da primeira fase do programa, mas posso dizer que eu estava, de fato, morrendo de amores por ele. Tanto é que acabei colocando uma foto sua como plano de fundo no meu perfil do Twitter.
Pois bem. Era natal e aquela era a hora em que todos da casa já haviam desejado "Feliz Natal, meu krido" pra todo mundo; a única coisa a se fazer era sentar no sofá da sala e começar a conversar sobre a vida monótona e cotidiana a ser levada, as histórias de infância e tudo o mais.
Eu, como boa pessoa, resolvi entrar no Twitter, desejar feliz natal para todo mundo também. No entanto, não percebi que tinha gente atrás de mim no computador - era, ninguém mais, ninguém menos, do que MEU PAI.
"Tudo bem" pensei "É só o Twitter, ele não vai falar nada..."
- O QUE É ISSO, MARIANA????!
- Nada, pai... - respondi.
- NADA MESMO!! ESSE CARA NÃO ESTÁ VESTINDO É NADA!!!
Aí que fui perceber que ele estava falando da foto de Nathan James no plano de fundo. Realmente, ele estava quase que sem nada, só um camisetão e com as coxas de fora. "MEU. DEUS. AGORA JÁ ERA." pensei.
- Não quero saber dessas coisas aqui não! - Foi a última coisa que disse antes de virar as costas e sair de perto do computador. E aquele foi o momento capcioso em que meu coração bateu mais forte do que nunca, em que vi minha vida inteira passar diante dos meus olhos.
Como já estava no microblog, resolvi relatar o que havia acabado de acontecer e acabei confessando que morria de medo de qualquer um dos meus seguidores serem, na verdade, o meu pai ou gente que trabalha pra ele. Claro que essas confissões todas tiveram algumas repercussões como amigo meu dizendo "Mariana, eu sou seu pai." Creio que foi a partir daí que comecei a ter mais de um pai...
(Postagem feita em 2013)
Pois bem. Era natal e aquela era a hora em que todos da casa já haviam desejado "Feliz Natal, meu krido" pra todo mundo; a única coisa a se fazer era sentar no sofá da sala e começar a conversar sobre a vida monótona e cotidiana a ser levada, as histórias de infância e tudo o mais.
Eu, como boa pessoa, resolvi entrar no Twitter, desejar feliz natal para todo mundo também. No entanto, não percebi que tinha gente atrás de mim no computador - era, ninguém mais, ninguém menos, do que MEU PAI.
"Tudo bem" pensei "É só o Twitter, ele não vai falar nada..."
- O QUE É ISSO, MARIANA????!
- Nada, pai... - respondi.
- NADA MESMO!! ESSE CARA NÃO ESTÁ VESTINDO É NADA!!!
Aí que fui perceber que ele estava falando da foto de Nathan James no plano de fundo. Realmente, ele estava quase que sem nada, só um camisetão e com as coxas de fora. "MEU. DEUS. AGORA JÁ ERA." pensei.
- Não quero saber dessas coisas aqui não! - Foi a última coisa que disse antes de virar as costas e sair de perto do computador. E aquele foi o momento capcioso em que meu coração bateu mais forte do que nunca, em que vi minha vida inteira passar diante dos meus olhos.
Como já estava no microblog, resolvi relatar o que havia acabado de acontecer e acabei confessando que morria de medo de qualquer um dos meus seguidores serem, na verdade, o meu pai ou gente que trabalha pra ele. Claro que essas confissões todas tiveram algumas repercussões como amigo meu dizendo "Mariana, eu sou seu pai." Creio que foi a partir daí que comecei a ter mais de um pai...
(Postagem feita em 2013)
The Perks of Being Mariana Vol. I - Complexo de Frango
Estava no meu primeiro ano do Ensino Médio, era época de greve e a única coisa interessante a se fazer de manhã era assistir "Bem Estar" (porque era o único canal que pegava). Não fazia nem duas semanas e já possuía todas as neuras possíveis de doenças e manias que falavam no programa. Minha situação era precária... Até que aconteceu a história do frango.
Ainda não era meio-dia, minha mãe ligou:
- Mariana, você já fez o almoço?
-Não, mãe.
- Então faz. Tem um frango na geladeira, é só você cortar, temperar e colocar pra assar.
"Ok, é só um frango." pensei "Deve ser daqueles peitos de frango que a gente só pega e corta. Vou fazer o almoço então."
Esperei até acabar o programa pra poder ir até a cozinha e fazer. Abri a geladeira, estava lá - um frango... inteiro. Nunca tive que preparar um frango inteiro. Peguei, coloquei em cima da pia, fui buscar a faca. (Vou pedir pra levarem em consideração a partir daqui porque estava sozinha em casa. É normal as pessoas se desesperarem quando estão sozinhas em casa)
Já fui abrindo o saquinho em que o bicho estava e começou a escorrer o sangue sobre a pia. Pensava seriamente em não fazer mais a comida. "Não, Mariana. Sua irmã vai chegar com fome, vai querer almoçar... e não vai ter nada pra ela comer? Faz o almoço, por mais nojento que seja." Continuei fazendo. Estava quase começando a cortar quando percebi que havia um outro saquinho com "coisinhas" dentro do animal. Fui tentar tirar, puxei com tudo e tudo o que tinha lá dentro, caiu no chão. Inclusive... A CABEÇA DO FRANGO.
Era a primeira vez que estava fazendo um frango, que estava vendo a cabeça de um frango morto. Fiz o que uma pessoa sensata faria numa situação dessa: saí da cozinha gritando e comecei a chorar.
"Meudeus, aquele frango!! Coitado dele! Aquela cabeça!!!!!!" Enfiei a cabeça (a minha) no travesseiro e fiquei uma meia hora tentando decidir o que faria - e a cabeça do frango lá, no chão da cozinha.
"Muito bem... Aquilo não pode ficar ali." pensava "Mas também não quero voltar lá, aquele 'coiso' vai ficar olhando pra mim. O que eu vou fazer?"
Passada uma meia hora, depois de um grande debate comigo mesma, vendo os prós e contras de sair da minha cama e voltar à cozinha, resolvi sair de lá e pegar a pá pra juntar aquela sujeira do chão.
Não bastasse meu desespero - completamente desnecessário - por estar sozinha com uma cabeça de frango em casa, não conseguia juntar a sujeira, fazendo com que a cabeça caísse várias e várias vezes no meio do caminho, até finalmente acertar o lixo.
Já fui abrindo o saquinho em que o bicho estava e começou a escorrer o sangue sobre a pia. Pensava seriamente em não fazer mais a comida. "Não, Mariana. Sua irmã vai chegar com fome, vai querer almoçar... e não vai ter nada pra ela comer? Faz o almoço, por mais nojento que seja." Continuei fazendo. Estava quase começando a cortar quando percebi que havia um outro saquinho com "coisinhas" dentro do animal. Fui tentar tirar, puxei com tudo e tudo o que tinha lá dentro, caiu no chão. Inclusive... A CABEÇA DO FRANGO.
Era a primeira vez que estava fazendo um frango, que estava vendo a cabeça de um frango morto. Fiz o que uma pessoa sensata faria numa situação dessa: saí da cozinha gritando e comecei a chorar.
"Meudeus, aquele frango!! Coitado dele! Aquela cabeça!!!!!!" Enfiei a cabeça (a minha) no travesseiro e fiquei uma meia hora tentando decidir o que faria - e a cabeça do frango lá, no chão da cozinha.
"Muito bem... Aquilo não pode ficar ali." pensava "Mas também não quero voltar lá, aquele 'coiso' vai ficar olhando pra mim. O que eu vou fazer?"
Passada uma meia hora, depois de um grande debate comigo mesma, vendo os prós e contras de sair da minha cama e voltar à cozinha, resolvi sair de lá e pegar a pá pra juntar aquela sujeira do chão.
Não bastasse meu desespero - completamente desnecessário - por estar sozinha com uma cabeça de frango em casa, não conseguia juntar a sujeira, fazendo com que a cabeça caísse várias e várias vezes no meio do caminho, até finalmente acertar o lixo.
Por fim, acabei não fazendo o almoço; fiquei sem fome o resto do dia e minha irmã almoçou ovo porque era a única coisa descongelada quando ela chegou. Demorei um certo tempo pra voltar a comer frango.
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